A Gerando Falcões é uma organização social criada por Edu Lyra, que cresceu em uma favela de Guarulhos, na Grande São Paulo. Começou como um projeto local e se transformou em um ecossistema de desenvolvimento social que apoia líderes e organizações de favelas em vários estados. O projeto mais conhecido é o Favela 3D, que busca tornar favelas Dignas, Digitais e Desenvolvidas. A Gerando Falcões também é estudada pelo marketing: poucas ONGs brasileiras conseguiram tanta presença em empresas, imprensa de negócios e redes sociais. Veja como ela funciona e o que dá para aprender.
Como começou
Edu Lyra escreveu um livro sobre jovens da periferia e usou o resultado para iniciar o trabalho social. Os primeiros anos foram focados em liderança comunitária na região do Alto Tietê, com atividades para crianças e jovens. Com o tempo, a organização passou a se descrever como uma rede: em vez de executar tudo sozinha, forma e apoia lideranças e ONGs locais que já atuam nas favelas.
O que é o Favela 3D
O Favela 3D é o programa de transformação territorial da Gerando Falcões. A proposta é atuar em uma favela inteira, e não em pessoas isoladas, combinando:
- diagnóstico das famílias, para entender renda, saúde, escolaridade e moradia de cada casa;
- políticas públicas articuladas com prefeituras e governos estaduais;
- tecnologia social, com dados para acompanhar a evolução de cada família;
- parcerias com empresas para obras, emprego e renda.
O programa já foi anunciado em territórios como a Favela Haiti, em São Paulo, a comunidade Inferninho, em Fortaleza, e o bairro Piranema, no Espírito Santo, entre outros.
A comunicação como estratégia central
A Gerando Falcões é um caso raro de ONG que trata comunicação e marca como parte do modelo, e não como acessório. Alguns elementos:
- Linguagem de negócios. Edu Lyra fala de favela como "potência", de escala, de metas e de dados. Esse vocabulário aproxima a organização de executivos e investidores sociais, que se sentem em terreno conhecido.
- Porta-voz presente. O fundador está em eventos de inovação, entrevistas, podcasts e colunas de revistas de negócios. A visibilidade dele puxa a da causa.
- Ideias com nome próprio. "Favela 3D" é fácil de lembrar e explica o projeto. Nomear programas com termos simples ajuda a imprensa e os parceiros a falarem sobre eles.
- Meta ousada e pública. A organização assume publicamente o objetivo de colocar a pobreza das favelas "no museu". Uma meta grande e clara mobiliza apoiadores.
- Campanhas em grande escala. Durante a pandemia, a rede organizou distribuição de cestas e cartões-alimentação com forte presença digital e apoio de empresas e celebridades.
Críticas e cuidados
Um modelo tão ligado ao fundador e a grandes empresas também recebe questionamentos, por exemplo sobre dependência de um rosto só e sobre como medir resultados em territórios inteiros. Para qualquer ONG, a lição é equilibrar visibilidade com transparência: publicar dados, relatórios e metodologia ao lado das campanhas.
O que a sua ONG pode aplicar
- Fale a língua de quem você quer convencer. Para empresas, mostre dados, metas e retorno social. Para pessoas físicas, histórias. Nosso guia de parcerias B2B para ONGs detalha isso.
- Dê nome aos seus programas. "Projeto de reforço escolar" não se espalha. Um nome curto e memorável sim.
- Tenha um porta-voz preparado. Alguém da ONG que fale bem, com frequência, em podcasts locais, eventos e LinkedIn. Veja LinkedIn para ONGs.
- Mostre o território. Mapas, antes e depois, dados do bairro: concretude gera confiança.
Como a Ruptura ajuda
Ajudamos ONGs a construir uma comunicação capaz de conversar com empresas e com o público ao mesmo tempo: posicionamento, apresentação institucional, LinkedIn e campanhas. Conheça nosso serviço de apresentação institucional para captação e de parcerias com empresas, ou peça um diagnóstico gratuito. Se preferir, fale direto com a gente no WhatsApp e conte o momento da sua organização.