Não existe um ranking oficial único das maiores ONGs do Brasil. Não há um órgão que meça todas as organizações pelo mesmo critério, e cada lista que circula na internet usa uma régua diferente: orçamento, número de atendidos, doadores, voluntários ou presença na mídia. Nesta lista, reunimos organizações brasileiras (ou com forte operação no Brasil) que se destacam por porte, alcance nacional, longevidade e reconhecimento público. A ordem não é uma classificação. Para cada uma, contamos o que faz e o que uma ONG pequena ou média pode aprender com a comunicação dela.
Por que olhar para as grandes organizações
Ninguém espera que uma associação de bairro tenha o orçamento da AACD. Mas as grandes organizações já testaram, em escala, o que funciona para conquistar confiança, doadores e voluntários. Muitas dessas práticas custam pouco: contar bem a origem da organização, ter uma campanha anual com meta clara, cuidar de quem já doa. Olhar para elas ajuda a separar o que depende de dinheiro do que depende só de método.
Saúde e assistência
AACD
A Associação de Assistência à Criança Deficiente foi fundada em 1950 pelo ortopedista Renato da Costa Bomfim, em meio a um surto de poliomielite no país, e se tornou referência em reabilitação de pessoas com deficiência física. Desde 1998 realiza o Teleton em parceria com o SBT, uma maratona televisiva anual com meta de arrecadação anunciada publicamente. Na edição de 2025, a campanha superou a meta de R$ 35 milhões.
O que aprender: um grande momento anual, com meta pública e acompanhamento ao vivo do resultado, cria senso de urgência e de comunidade. Em escala menor, isso pode ser uma campanha de aniversário da ONG ou uma live solidária com placar de arrecadação.
Hospital de Amor
Em Barretos (SP), o Hospital de Amor começou suas atividades em 1962 como Hospital São Judas Tadeu. Em 1967 foi criada a Fundação Pio XII, sua mantenedora, com o objetivo de oferecer tratamento gratuito a pacientes com câncer. A instituição tem forte apoio do agronegócio, com leilões de gado e eventos realizados em várias regiões do país em seu benefício.
O que aprender: conhecer profundamente a comunidade que apoia a causa e falar a língua dela. Para uma ONG local, isso pode significar uma relação próxima com o comércio da cidade, um setor econômico forte da região ou um grupo de igrejas.
GRAACC
O Grupo de Apoio ao Adolescente e à Criança com Câncer foi fundado em 1991 em São Paulo pelo oncologista pediátrico Antonio Sérgio Petrilli, pelo engenheiro Jacinto Guidolin e pela voluntária Lea Della Casa Mingione. Desde 1998 mantém um hospital que funciona em parceria técnico-científica com a Unifesp. O GRAACC está entre as instituições beneficiadas pelo McDia Feliz, campanha coordenada pelo Instituto Ronald McDonald.
O que aprender: parcerias com grandes campanhas e empresas ampliam o alcance, desde que a organização tenha credibilidade e prestação de contas em dia para ser escolhida.
Médicos Sem Fronteiras (MSF) Brasil
A organização humanitária internacional teve seu primeiro projeto no Brasil em 1991, na região Norte, e hoje tem um escritório brasileiro que capta recursos para as ações médicas no mundo. Mantém equipes de captadores nas ruas de cidades como Rio de Janeiro, São Paulo e Belo Horizonte, convidando pessoas a se tornarem doadoras mensais.
O que aprender: o foco na doação recorrente. O doador mensal recebe informações periódicas e relatório sobre os projetos, o que mantém o vínculo. Veja como estruturar isso em programa de doação mensal recorrente.
Infância, educação e direitos
Pastoral da Criança
Criada em 1983 em Florestópolis (PR), por iniciativa da médica pediatra e sanitarista Zilda Arns Neumann com apoio da CNBB, a Pastoral da Criança atua no acompanhamento de gestantes e crianças pequenas em comunidades pobres, com uma ampla rede de líderes comunitários voluntários.
O que aprender: a força de uma rede de voluntários bem treinados, que leva a mensagem para dentro das comunidades. Comunicação não é só rede social: é também a conversa de porta em porta.
Fundação Abrinq
Criada em 1990, a Fundação Abrinq (que hoje se apresenta como Fundação Abrinq – Save the Children) defende os direitos de crianças e adolescentes. Em 1996 lançou o Programa Prefeito Amigo da Criança, que apoia prefeituras no planejamento de políticas para a infância.
O que aprender: advocacy e uso de dados. Uma organização que produz informação confiável sobre a própria causa vira fonte para imprensa e poder público.
Instituto Ayrton Senna
Fundado em novembro de 1994 por Viviane Senna, irmã do piloto, poucos meses após a morte dele, o instituto atua na melhoria da educação pública, desenvolvendo e avaliando soluções em parceria com redes de ensino.
O que aprender: comunicar com base em evidências. Mostrar o que foi medido, e não só o que foi feito, aumenta a confiança de financiadores. Veja indicadores de impacto.
Periferias, moradia e meio ambiente
Gerando Falcões
A Gerando Falcões começou em 2011 em Poá, na Grande São Paulo, fundada por Edu Lyra. Cresceu como um ecossistema que apoia organizações e lideranças sociais em favelas de todo o país, com programas de educação, esporte, cultura e renda, e projetos de transformação de territórios, como o Favela 3D.
O que aprender: uma narrativa ambiciosa e fácil de repetir. A organização comunica um sonho grande e mostra territórios concretos onde ele está sendo construído.
TETO
Nascida no Chile em 1997, a TETO começou suas atividades no Brasil em novembro de 2006. Mobiliza jovens voluntários para trabalhar com famílias de favelas precárias, incluindo a construção de moradias emergenciais.
O que aprender: o voluntário como canal de comunicação. Cada jovem que participa de uma construção conta a experiência para a própria rede. Veja como atrair voluntários.
SOS Mata Atlântica
Criada em 1986, a Fundação SOS Mata Atlântica atua na defesa do bioma. Em parceria com o INPE, publica o Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica, que monitora a situação da floresta e costuma ganhar destaque na imprensa.
O que aprender: transformar dados próprios em pauta recorrente. Um levantamento divulgado todo ano na mesma época gera notícia sem precisar de verba de mídia.
O que essas organizações têm em comum
- Uma história de origem clara: quem fundou, por que e onde. Todas contam essa história com facilidade;
- Constância de décadas: confiança é construída com tempo e presença, não com uma campanha isolada;
- Prestação de contas visível: relatórios anuais e resultados publicados, como mostramos em transparência e prestação de contas;
- Um mecanismo de captação reconhecível: o Teleton, o McDia Feliz, os leilões, o doador mensal;
- Parcerias fortes com empresas, veículos de mídia e poder público.
Para aprofundar o lado da comunicação, leia nossa análise de ONGs que são referência em comunicação.
Como aplicar isso em uma ONG pequena
- Escreva sua história de origem em um parágrafo e use em todos os canais;
- Escolha um momento anual de captação e repita todo ano, com meta pública;
- Publique um resultado concreto por mês, por menor que seja;
- Crie um caminho para a doação recorrente, mesmo que comece com poucos doadores;
- Identifique a comunidade que mais apoia sua causa e fale diretamente com ela.
Como a Ruptura ajuda
A Ruptura é uma agência de marketing que atende exclusivamente ONGs e OSCs. Ajudamos organizações de todos os tamanhos a adaptar à sua realidade práticas que as grandes já validaram: posicionamento, história institucional, campanhas anuais e programas de doação recorrente. Conheça a estratégia de marketing para ONGs ou comece por um diagnóstico gratuito.