Muita gente quer ajudar uma causa, mas não consegue estar presencialmente: mora longe, trabalha em horário comercial, tem filhos pequenos ou tem alguma limitação de mobilidade. O voluntariado online abre a porta da organização para essas pessoas e para profissionais de qualquer lugar do país. Para funcionar, porém, ele precisa de mais estrutura que o presencial, porque ninguém "aparece na sede" para perguntar o que fazer.
Quais atividades funcionam à distância
- Comunicação: design de peças, edição de vídeo, redação de posts e textos para o site, gestão de redes;
- Tecnologia: manutenção do site, configuração de ferramentas, planilhas e automações;
- Gestão: apoio financeiro e contábil, captação, elaboração de projetos para editais, pesquisa de oportunidades;
- Atendimento: mentoria, aulas e reforço escolar online, apoio psicológico (com profissionais habilitados), tradução;
- Mobilização: ligar para doadores para agradecer, organizar campanhas de arrecadação, divulgar vagas.
Boa parte dessas atividades se encaixa no voluntariado de competências, em que o profissional doa justamente o seu ofício.
Desenhe a vaga como uma tarefa clara
O principal motivo de fracasso do voluntariado remoto é a vaga vaga: "precisamos de ajuda com as redes sociais". Descreva:
- Entrega: o que precisa estar pronto ("8 posts por mês para o Instagram");
- Tempo estimado por semana ou por entrega;
- Prazo: uma tarefa pontual ou um compromisso de alguns meses;
- Habilidades necessárias e ferramentas usadas;
- Pessoa de contato que vai acompanhar e aprovar.
Tarefas pontuais e bem delimitadas são um ótimo começo: o voluntário experimenta a organização sem um compromisso longo, e a organização avalia o trabalho antes de oferecer algo maior.
Integração à distância
- Uma conversa de vídeo curta para apresentar a causa e a equipe;
- Um material de boas-vindas com a história da organização, o tom de voz e os contatos principais;
- Acesso às ferramentas necessárias, com contas da organização, e não pessoais;
- O termo de adesão, que pode ser assinado eletronicamente;
- A primeira tarefa já definida, com prazo.
Ferramentas que ajudam
Não precisa de nada caro. Uma pasta compartilhada na nuvem, um grupo de mensagens só para os voluntários, uma planilha ou quadro de tarefas e chamadas de vídeo resolvem a maior parte das necessidades. Organizações sem fins lucrativos também podem ter acesso a pacotes gratuitos de produtividade, como o Google Workspace for Nonprofits, citado no guia de software gratuito para ONGs.
Cuidados importantes
- Acessos: conceda só o necessário e remova quando a pessoa sair. Senhas de redes sociais e do site não devem ficar com quem já não colabora;
- Dados pessoais: voluntários que lidam com cadastros de doadores ou atendidos precisam seguir as regras da LGPD e um compromisso de sigilo;
- Atendimento a crianças online: exige ainda mais cuidado, com acompanhamento de alguém da equipe, autorização dos responsáveis e regras claras de contato;
- Direitos sobre o trabalho: deixe claro no termo que as peças e os conteúdos produzidos podem ser usados pela organização.
Mantenha o vínculo mesmo à distância
Voluntários remotos se sentem isolados com facilidade. Inclua-os nos agradecimentos públicos, convide para os encontros online da equipe, mostre o resultado do trabalho deles ("o post que você fez trouxe 12 inscrições") e faça uma conversa periódica de acompanhamento. As práticas de retenção de voluntários valem também para quem colabora à distância.
Checklist
- Lista de atividades que podem ser feitas à distância;
- Vagas descritas com entrega, tempo, prazo e contato;
- Material de boas-vindas e conversa inicial por vídeo;
- Termo de adesão assinado eletronicamente;
- Ferramentas e contas da organização, com acessos controlados;
- Compromisso de sigilo para quem lida com dados pessoais;
- Acompanhamento periódico e reconhecimento do trabalho.