"Quantas pessoas vocês atendem?" é a pergunta mais comum que uma ONG ouve, mas não a mais importante. Doadores, empresas e financiadores querem saber cada vez mais o que muda na vida dessas pessoas. Medir impacto parece complicado, mas dá para começar com poucos indicadores bem escolhidos.
Três níveis de indicadores
- Atividades (o que fazemos): número de aulas, atendimentos, oficinas, cestas entregues;
- Resultados (o que muda no curto prazo): frequência, notas, habilidades adquiridas, acesso a serviços;
- Impacto (o que muda no longo prazo): conclusão dos estudos, emprego, saúde, renda, autonomia.
A maioria das organizações mede só atividades. Acrescentar alguns indicadores de resultado já muda muito a qualidade da prestação de contas.
Como escolher os indicadores
- Parta do objetivo do projeto: o que deveria mudar para as pessoas atendidas?
- Escolha poucos indicadores (três a cinco por projeto) que mostrem essa mudança;
- Verifique se é possível coletar os dados com a estrutura atual;
- Defina a linha de base: como a situação estava antes;
- Defina a frequência de coleta e quem é responsável.
A teoria da mudança é uma ferramenta útil para organizar esse raciocínio.
Exemplos práticos
- Reforço escolar: frequência média, evolução nas notas, taxa de aprovação;
- Qualificação profissional: conclusão do curso, inserção no mercado de trabalho em seis meses;
- Segurança alimentar: famílias atendidas regularmente, redução de insegurança alimentar relatada;
- Saúde: adesão ao tratamento, consultas realizadas, encaminhamentos concluídos.
Coleta simples e ética
Formulários curtos, listas de presença bem organizadas e pesquisas no início e no fim de cada ciclo resolvem a maior parte dos casos. Cuide dos dados das pessoas atendidas com rigor, especialmente quando envolverem crianças ou informações de saúde, como orienta a LGPD para ONGs. Histórias e depoimentos complementam os números, desde que contados com autorização e respeito.
Comunique os resultados
Indicadores só fazem diferença quando chegam a quem apoia: no relatório de impacto, na página de transparência, nos projetos para editais e nas conversas com empresas. Números concretos e bem apresentados aumentam a confiança e a chance de novos apoios.
Como a Ruptura ajuda
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