Associações indígenas e organizações que atuam com povos indígenas têm causas de enorme relevância: território, saúde, educação diferenciada, cultura, meio ambiente e direitos. Comunicar bem essas causas exige um cuidado especial: os próprios povos devem ser protagonistas, decidir o que e como mostrar e ter controle sobre suas imagens e histórias. Veja princípios e caminhos para uma comunicação que fortaleça as organizações indígenas.
Protagonismo e consentimento
- a comunicação deve ser feita pelos povos ou com eles, nunca sobre eles sem participação;
- imagens, rituais, cantos e conhecimentos tradicionais só devem ser divulgados com autorização coletiva, de acordo com as regras de cada povo;
- evite estereótipos (o "índio genérico", a imagem só ligada à floresta ou ao passado);
- use os nomes dos povos e das pessoas corretamente;
- valorize comunicadores indígenas, que já produzem conteúdo de alta qualidade.
O que comunicar
- projetos de saúde, educação, produção e proteção territorial;
- cultura viva: língua, arte, alimentação, festas, sempre com autorização;
- produtos e economia indígena (artesanato, alimentos, turismo de base comunitária);
- posicionamentos sobre direitos e políticas públicas;
- resultados e prestação de contas de projetos.
Datas
O 19 de abril passou a ser o Dia dos Povos Indígenas (antes chamado de "Dia do Índio") por lei de 2022. Também há o 9 de agosto, Dia Internacional dos Povos Indígenas da ONU. São momentos de atenção da imprensa e de escolas, mas a comunicação deve acontecer o ano todo.
Fontes de recursos
- fundos e editais nacionais e internacionais ligados a povos indígenas, clima e biodiversidade;
- venda de produtos e turismo de base comunitária, com comércio justo;
- doações de pessoas físicas e campanhas, especialmente em emergências de saúde ou territoriais;
- parcerias com universidades e organizações de apoio.
Financiadores internacionais exigem materiais em inglês ou espanhol, relatórios e boa governança. Veja captação de recursos internacionais.
Canais
Redes sociais (especialmente Instagram e YouTube), sites próprios, podcasts e rádios comunitárias. Em territórios com pouca internet, comunicadores locais e lideranças levam as informações. Veja podcast para ONGs.
Organizações de apoio
ONGs não indígenas que atuam com povos indígenas devem ter cuidado redobrado: dar crédito, abrir espaço para vozes indígenas e evitar usar a imagem dos povos para captação sem que os recursos e as decisões cheguem a eles. Veja Expedicionários da Saúde como exemplo de parceria na saúde indígena.
Como a Ruptura ajuda
A Ruptura apoia organizações com comunicação respeitosa, materiais para financiadores e estratégias de captação, sempre com o protagonismo de quem é da causa. Veja o guia como divulgar uma ONG de direitos humanos ou peça um diagnóstico gratuito. Se preferir, fale direto com a gente no WhatsApp e conte o momento da sua organização.