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Live solidária: como planejar uma transmissão que realmente arrecada

Ruptura · 8 min de leitura
Gesto de doação, representando a arrecadação durante uma live solidária

Uma live solidária é uma transmissão ao vivo, com música, conversa, desafio ou apresentação, em que o público é convidado a doar durante a exibição, quase sempre por Pix com o QR code na tela. Para dar certo, ela precisa de uma meta clara, um roteiro com momentos de pedido, convidados que tragam público, divulgação começando pelo menos duas semanas antes e prestação de contas depois. Abaixo, o passo a passo para organizar a sua sem improviso.

1. Defina objetivo e meta

Antes de pensar em convidado ou plataforma, responda: para que é o dinheiro? "Comprar 200 cestas básicas" ou "pagar seis meses de aluguel da sede" mobiliza muito mais do que "ajudar a ONG". Defina:

  • Meta em reais e o que ela compra, de forma concreta;
  • Duração da live: de 1 a 2 horas costuma ser suficiente para ONGs pequenas e médias. Transmissões muito longas perdem público e cansam a equipe;
  • Data e horário em que o seu público está disponível, geralmente à noite durante a semana ou no fim de semana à tarde. Evite coincidir com grandes eventos esportivos ou finais de programas de TV.

2. Escolha a plataforma

  • Instagram: onde está a comunidade da maioria das ONGs. Permite convidar outras contas para a live, o que soma os públicos;
  • YouTube: melhor para transmissões mais longas, com qualidade maior e várias câmeras. A live fica salva e pode ser encontrada depois. Atenção: para transmitir pelo celular, o YouTube exige canal verificado e, segundo a ajuda oficial, pelo menos 50 inscritos; a primeira transmissão pode levar até 24 horas para ser liberada. Pelo computador, com webcam ou software de transmissão, a ajuda oficial não exige número mínimo de inscritos;
  • Transmissão simultânea: ferramentas de multistreaming enviam a mesma live para mais de uma plataforma. Útil, mas exige alguém dedicado a acompanhar os comentários de cada uma.

Se a ONG ainda não tem canal no YouTube, ative com antecedência. O guia de YouTube para ONGs ajuda na configuração.

3. Convidados que trazem público

O convidado certo é aquele cujo público tem afinidade com a causa, não necessariamente o mais famoso. Bons perfis: artistas locais, influenciadores da região, profissionais respeitados na área da causa, pessoas atendidas que queiram contar sua história (com preparo e autorização).

  • Convide com antecedência e por escrito, explicando a causa, a meta, a data, o tempo de participação e o que você espera (por exemplo, divulgar nos próprios perfis);
  • Peça que o convidado poste a divulgação pelo menos duas vezes: na semana e no dia;
  • Combine a autorização de uso de imagem e voz para usar trechos depois;
  • Se houver apresentações musicais, combine com os artistas o repertório. Plataformas costumam silenciar ou interromper transmissões com músicas protegidas por direitos autorais, então composições próprias ou com autorização são mais seguras.

Para trabalhar com influenciadores de forma estruturada, veja marketing de influência para ONGs.

4. Roteiro com momentos de pedido

Uma live solidária sem roteiro vira conversa agradável que arrecada pouco. Um modelo para 90 minutos:

TempoBloco
0 a 10 minAbertura, apresentação da causa e da meta, primeiro pedido
10 a 30 minPrimeiro convidado ou atração
30 a 35 minHistória de impacto (vídeo curto ou depoimento) e pedido
35 a 60 minSegunda atração
60 a 65 minAtualização da meta, agradecimento nominal a quem autorizou, pedido
65 a 85 minAtração principal
85 a 90 minÚltimo pedido, resultado parcial e próximos passos

Tenha uma pessoa só para o "placar": atualizar quanto já foi arrecadado e avisar o apresentador. Mostrar a meta se aproximando é o que mais gera doações na reta final.

5. Pix e QR code na tela

  • QR code fixo em um canto da tela durante toda a live, com a chave Pix por extenso logo abaixo para quem assiste pelo celular e não consegue escanear;
  • Use a chave CNPJ da organização e mostre o nome da ONG como aparece no aplicativo do banco, para quem doa conferir antes de confirmar;
  • Cuidado com golpes: fixe um comentário oficial com a chave e avise que a organização nunca pede doação por mensagem privada. Modere comentários com chaves falsas;
  • Link de doação com cartão para quem prefere outra forma de pagamento, na bio e na descrição.

O guia de doação por Pix mostra como configurar a chave e o QR code corretamente.

Se pensar em sorteios ou rifas durante a live, leia antes o artigo sobre rifas e sorteios: há regras de autorização que não podem ser ignoradas.

6. Divulgação e teste técnico

Divulgação

  1. Duas semanas antes: anúncio com data, horário, convidados e meta. Crie o evento ou lembrete na plataforma;
  2. Uma semana antes: apresentação de cada convidado, bastidores, história que a live vai apoiar;
  3. Véspera e dia: contagem regressiva nos stories, mensagem nas listas de WhatsApp e e-mail para a base;
  4. Durante: stories avisando que a live está no ar, para puxar quem está online;
  5. Imprensa local: uma live com artistas da cidade pode virar pauta. Veja como divulgar a ONG na imprensa.

Teste técnico

Faça um ensaio completo um ou dois dias antes, no mesmo local e horário: internet (de preferência com cabo), luz, áudio de cada convidado, entrada e saída de participantes, QR code legível. Tenha um celular reserva conectado e um plano B se a conexão cair, como reiniciar a live e avisar nos stories.

7. Depois da live: prestação de contas

  • Em até 48 horas: post e stories com o valor total arrecadado e agradecimento aos convidados e doadores;
  • Quando o recurso for aplicado: mostre o que foi comprado ou feito, com fotos e números;
  • Reaproveite: cortes com os melhores momentos viram conteúdo por semanas;
  • Converta doadores em relação: quem doou pela primeira vez merece agradecimento e convite para conhecer a organização. Veja como agradecer doadores.

Uma live bem prestada é a melhor divulgação da próxima. Para outras formas de evento, veja o guia de evento beneficente.

Como a Ruptura ajuda

A Ruptura planeja a live solidária com a organização, monta roteiro, artes e QR code, cuida da divulgação antes e durante a transmissão e organiza a prestação de contas. Veja o serviço de campanhas de captação de doações e o de marketing de influência para ONGs.

Perguntas frequentes

Qual a melhor plataforma para live solidária?

O Instagram concentra a comunidade da maioria das ONGs e permite convidados. O YouTube é melhor para transmissões longas e de maior qualidade, e a live fica salva.

Preciso de quantos inscritos para fazer live no YouTube?

Para transmitir pelo celular, a ajuda oficial do YouTube pede canal verificado e pelo menos 50 inscritos. Pelo computador, com webcam ou software de transmissão, a ajuda oficial não exige número mínimo de inscritos.

Como mostrar o Pix na live com segurança?

Deixe o QR code e a chave CNPJ fixos na tela, mostre o nome da ONG como aparece no banco e fixe um comentário oficial avisando que não há pedidos por mensagem privada.

Quanto tempo deve durar uma live solidária?

De uma a duas horas costuma bastar para ONGs pequenas e médias, com momentos de pedido distribuídos ao longo do roteiro.

Vai fazer uma live solidária?

A Ruptura planeja roteiro, artes e divulgação e organiza a prestação de contas.

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