Vários atletas e artistas brasileiros criaram suas próprias organizações sociais, a maioria voltada a crianças e jovens, com foco em esporte, educação e cultura. Abaixo estão alguns dos institutos e fundações de famosos mais conhecidos do país, com quem criou, a causa e onde atuam. No fim, reunimos o que essas organizações ensinam sobre comunicação, incluindo o lado delicado de depender da imagem de uma pessoa pública.
Selecionamos apenas organizações com informações públicas confirmadas em fontes oficiais ou na imprensa. A lista não é exaustiva.
Institutos e fundações criados por famosos
Instituto Ayrton Senna
Quem criou: Viviane Senna, irmã do piloto Ayrton Senna, em novembro de 1994, poucos meses após a morte dele em Ímola. Ela preside o instituto.
Causa: educação pública de qualidade. O instituto desenvolve, testa e avalia soluções educacionais em parceria com redes de ensino.
Destaque: é um caso raro de organização que nasceu ligada a um nome muito famoso e construiu reputação própria, baseada em pesquisa e resultados na área de educação.
Fundação Gol de Letra
Quem criou: os ex-jogadores da seleção brasileira Raí e Leonardo, em 10 de dezembro de 1998, Dia Internacional dos Direitos Humanos.
Causa: educação, esporte e cultura para crianças, adolescentes e jovens em situação de vulnerabilidade.
Onde atua: na Vila Albertina, zona norte de São Paulo, e no Rio de Janeiro, com atuação no Caju e em Niterói.
Destaque: os fundadores aparecem, mas a comunicação da fundação dá protagonismo aos educadores, aos jovens e à metodologia.
Instituto Projeto Neymar Jr.
Quem criou: o jogador Neymar Jr. e sua família. O instituto foi inaugurado em dezembro de 2014.
Causa: educação, esporte, cultura e saúde para crianças e adolescentes de 7 a 17 anos e suas famílias.
Onde atua: no Jardim Glória, em Praia Grande (SP), bairro onde o jogador cresceu.
Destaque: os leilões beneficentes com itens e experiências ligados ao jogador são uma das ações de captação mais visíveis. Contamos mais detalhes no post sobre o Instituto Projeto Neymar Jr.
Instituto Guga Kuerten
Quem criou: a família do tenista Gustavo Kuerten, em 17 de agosto de 2000. A mãe, Alice Kuerten, preside a organização.
Causa: inclusão social de crianças, adolescentes e pessoas com deficiência, usando o esporte como ferramenta educativa.
Onde atua: sede em Florianópolis, com ações em Santa Catarina.
Destaque: a causa tem raiz na história da própria família, o que dá autenticidade à comunicação.
Instituto Reação
Quem criou: o judoca medalhista olímpico Flávio Canto, com seu técnico Geraldo Bernardes e amigos, em 2003.
Causa: o judô como ferramenta educativa e de transformação social, da iniciação esportiva ao alto rendimento.
Onde atua: começou na Cidade de Deus e tem como principal polo a Rocinha, no Rio de Janeiro, com unidades em outros locais.
Destaque: revelou atletas de alto nível, como a campeã olímpica Rafaela Silva, o que gera histórias de impacto muito fortes.
Instituto Esporte & Educação
Quem criou: a ex-jogadora de vôlei e medalhista olímpica Ana Moser, em 2001.
Causa: esporte educacional para crianças e adolescentes, além da formação de professores.
Destaque: transformou a experiência esportiva da fundadora em metodologia, que pode ser ensinada e replicada.
Instituto Criar de TV, Cinema e Novas Mídias
Quem criou: o apresentador Luciano Huck, em 2003.
Causa: desenvolvimento profissional e social de jovens por meio do audiovisual.
Onde atua: São Paulo, como escola de formação.
Destaque: a área de atuação conversa diretamente com a carreira do fundador na televisão, o que facilita parcerias com o setor.
O que esses institutos ensinam sobre comunicação
A figura pública abre portas
Um nome conhecido gera atenção imediata da imprensa, facilita reuniões com empresas e atrai doadores que já admiram aquela pessoa. Eventos com a presença do fundador, como leilões e jogos beneficentes, costumam arrecadar valores que uma ONG anônima levaria anos para alcançar.
Mas a dependência é um risco
Quando toda a comunicação gira em torno de uma pessoa, a reputação da organização fica amarrada à dela. Qualquer polêmica na vida pessoal ou na carreira do fundador respinga no instituto, e a fase de menor visibilidade da pessoa pode reduzir o interesse do público. Por isso, os institutos mais sólidos trabalham para construir uma marca própria:
- Mostram educadores, voluntários e atendidos como protagonistas;
- Comunicam metodologia e resultados, não só a presença do famoso;
- Publicam relatórios e prestação de contas, como explicamos em transparência em ONGs;
- Diversificam fontes de recursos, com empresas, editais e doadores individuais.
A história de origem é o ativo mais forte
Quase todos esses institutos têm uma história de origem clara: o bairro onde o atleta cresceu, um sonho que ficou interrompido, uma experiência familiar. Esse é o ponto que qualquer ONG pode copiar. Toda organização tem uma origem, e ela costuma ser mais interessante do que os fundadores imaginam. Veja como contar essa história em storytelling ético.
E se a sua ONG não tem um famoso por trás?
A maioria não tem, e tudo bem. Algumas formas de aproveitar a lógica sem depender de uma celebridade:
- Embaixadores locais: um atleta da cidade, um comunicador de rádio, um influenciador do bairro. Veja marketing de influência para ONGs;
- Fundadores e equipe como rosto: o gestor que conta, com sinceridade, por que começou;
- Atendidos e voluntários como porta-vozes, sempre com autorização e respeito;
- Imprensa local, que valoriza histórias da própria região. Veja como divulgar sua ONG na imprensa.
Como a Ruptura ajuda
A Ruptura trabalha exclusivamente com ONGs e OSCs, ajudando a construir uma marca própria e confiável, com ou sem um nome famoso por trás. Fazemos posicionamento, narrativa institucional e estratégias com embaixadores e influenciadores. Conheça o serviço de branding para ONGs.