Um vídeo institucional de ONG é um vídeo curto que apresenta a organização (o problema que ela enfrenta, o que faz, para quem e qual resultado gera) e termina com um convite claro para apoiar. A versão principal costuma ficar entre um e três minutos, com cortes menores para redes sociais. O que separa um bom vídeo de um vídeo esquecível não é o equipamento, e sim o roteiro: uma história real, contada com dignidade, com começo, meio e um pedido no fim. Veja como planejar, gravar e usar.
Antes de gravar: para quem é o vídeo?
O mesmo vídeo raramente serve para todos os públicos. Defina o principal:
- Doadores pessoa física: emoção, uma história, um pedido simples;
- Empresas e investidores sociais: clareza, resultados, seriedade da gestão;
- Editais e financiadores: problema, metodologia e indicadores;
- Voluntários: como é participar, quem são as pessoas, o que se aprende.
Escolha um público principal e uma ação que você quer que a pessoa faça ao terminar de assistir.
Estrutura de roteiro que funciona
- Abertura (primeiros segundos): uma imagem ou frase forte que prenda a atenção. Uma pessoa, uma cena, uma pergunta. Nada de começar pelo logo;
- O problema: qual realidade a ONG enfrenta, de preferência mostrada por meio de uma pessoa, e não de uma estatística solta;
- O que a ONG faz: a solução, mostrada em ação, com o dia a dia real;
- A transformação: o que mudou na vida de alguém, com depoimento;
- Prova: um ou dois números que dimensionem o trabalho;
- Convite: "doe", "seja voluntário", "seja empresa parceira", com o endereço do site ou um QR code.
Escreva o roteiro antes de gravar, mesmo que seja em tópicos. Para os depoimentos, prepare perguntas abertas ("o que mudou para você desde que chegou aqui?") e deixe a pessoa falar; as melhores frases quase nunca são as ensaiadas. Veja também teoria da mudança, que ajuda a explicar o que a ONG transforma.
Qual a duração ideal
| Versão | Duração aproximada | Onde usar |
|---|---|---|
| Principal | 1 a 3 minutos | Site, YouTube, apresentações, eventos |
| Curta | 30 a 60 segundos | Reels, TikTok, Shorts, anúncios |
| Teaser | até 15 segundos | Stories, WhatsApp, abertura de campanha |
| Estendida ou minidocumentário | 5 minutos ou mais | Editais, eventos de captação, prestação de contas |
Planeje todas as versões antes de gravar, para captar material suficiente, inclusive cenas na vertical.
Depoimentos e autorização de imagem
Quem chamar e como cuidar
- Pessoas atendidas trazem a emoção, mas só devem participar se quiserem, sem pressão e sem expor situações de fragilidade;
- Familiares, voluntários e educadores trazem outros pontos de vista;
- Parceiros e empresas dão credibilidade para outros apoiadores;
- O fundador ou gestor explica a motivação, mas não precisa ser o protagonista.
Mostre as pessoas como protagonistas da própria história, e não como objeto de pena. Os princípios estão em storytelling ético.
Autorização de uso de imagem
Toda pessoa que aparece de forma identificável precisa autorizar o uso da imagem e da voz, preferencialmente por escrito, informando onde o vídeo será usado e por quanto tempo. Para crianças e adolescentes, a autorização deve ser assinada pelos responsáveis, e o cuidado com a exposição precisa ser ainda maior: o Estatuto da Criança e do Adolescente protege a imagem e a identidade dos menores. Evite mostrar uniformes escolares, endereços ou outros dados que permitam localizar a pessoa. Veja autorização de uso de imagem e LGPD para ONGs.
Produção: celular ou equipe profissional?
Dá para fazer um bom vídeo com celular, desde que você cuide de três coisas:
- Áudio: é o que mais denuncia amadorismo. Um microfone de lapela simples resolve boa parte dos problemas;
- Luz: grave perto de janelas ou ao ar livre, evitando sol forte no rosto;
- Estabilidade: use um tripé ou apoio.
Para o vídeo institucional principal, que será usado por anos em apresentações e no site, uma produção profissional costuma compensar. Uma alternativa é buscar uma produtora ou estudantes de audiovisual que façam o trabalho como voluntariado de competências.
Um roteiro de dia de gravação
Para aproveitar bem um dia de gravação, organize a agenda com antecedência:
- Visita técnica antes: conheça os espaços, veja onde há boa luz e onde o barulho atrapalha;
- Lista de cenas: atividades do dia a dia, detalhes (mãos, materiais, rostos com autorização), fachada, chegada e saída;
- Agenda dos depoimentos em horários de menos movimento, em local silencioso;
- Autorizações assinadas antes de ligar a câmera;
- Cenas verticais para as versões de redes sociais;
- Fotos do mesmo dia, que servirão para o site, a imprensa e as redes.
Avise a equipe e os atendidos com antecedência, explique o objetivo do vídeo e respeite quem preferir não aparecer.
Onde usar o vídeo
- Na página inicial do site e na página de doação;
- No canal do YouTube, com título e descrição otimizados. Veja YouTube para ONGs;
- Em reuniões com empresas e na apresentação institucional;
- Na abertura de eventos e lives;
- Em e-mails para doadores e na newsletter;
- Em versões curtas nas redes sociais e em anúncios;
- Em inscrições de editais que aceitam vídeo.
Erros comuns
- Vídeo longo demais, cheio de falas institucionais;
- Começar pelo logo e pelo histórico de fundação;
- Áudio ruim e música alta por cima das falas;
- Excesso de números e nenhuma pessoa real;
- Terminar sem dizer o que o espectador deve fazer;
- Esquecer as legendas, essenciais para quem assiste sem som e para a acessibilidade.
Como a Ruptura ajuda
A Ruptura produz vídeos institucionais, depoimentos e vídeos de campanha para ONGs e OSCs, do roteiro à edição das versões para cada canal, com cuidado com autorização e exposição das pessoas. Veja o serviço de conteúdo audiovisual para ONGs.