A CUFA, Central Única das Favelas, é uma organização brasileira fundada em 1999 no Rio de Janeiro por Celso Athayde, produtor musical, e pelo rapper MV Bill, com a participação de Nega Gizza e outros jovens de favela. Atua com cultura, esporte, educação, empreendedorismo e assistência, e hoje está presente em todas as regiões do Brasil e em outros países por meio de bases locais. Ficou ainda mais conhecida durante a pandemia, quando organizou campanhas de doação de alimentos em favelas de todo o país. Veja como a CUFA funciona e o que ela ensina sobre comunicação.
Origem: hip-hop e protagonismo
A CUFA nasceu do encontro de jovens negros de favelas cariocas ligados ao hip-hop. A ideia era que as próprias favelas falassem por si, sem intermediários. Desde o início, cultura e comunicação foram parte central: shows, eventos, livros e filmes. Celso Athayde e MV Bill escreveram juntos livros como "Cabeça de Porco" (2005) e "Falcão: Meninos do Tráfico" (2006), que viraram referência sobre a realidade de jovens nas favelas.
Em 2015, Celso Athayde deixou o comando da organização, que passou a ser presidida por Preto Zezé, liderança cearense. Athayde segue ligado à CUFA e criou a Favela Holding, um grupo de negócios voltado às favelas.
O que a CUFA faz
- Cultura: eventos de hip-hop, audiovisual, oficinas e festivais;
- Esporte: a Liga Internacional de Basquete de Rua (Libbra) e a Taça das Favelas, torneio de futebol entre comunidades, são dos projetos mais conhecidos;
- Educação e cursos: formação profissional e oficinas;
- Assistência: distribuição de cestas básicas e campanhas emergenciais;
- Pesquisa e empreendedorismo: parcerias com institutos de pesquisa para levantar dados sobre favelas e iniciativas de apoio a negócios locais.
Um modelo em rede
A CUFA funciona por bases estaduais e municipais, coordenadas por lideranças locais. Esse formato permite estar em muitos lugares ao mesmo tempo, mantendo uma marca comum. Para a comunicação, isso significa conteúdo produzido no território, com a linguagem de cada lugar, e campanhas nacionais que se espalham rapidamente pela rede.
Lições de comunicação da CUFA
- "Favela é potência". A CUFA mudou o jeito de falar sobre periferia: em vez de carência, cultura, empreendedorismo e talento. Um posicionamento claro e repetido por anos se torna marca.
- Eventos que viram mídia. A Taça das Favelas tem transmissão, patrocínio e cobertura. Um evento bem pensado gera conteúdo, visibilidade para patrocinadores e orgulho para a comunidade.
- Dados como pauta. Pesquisas sobre favelas, feitas com institutos parceiros, colocam a CUFA na imprensa como fonte. Dados próprios são uma das melhores formas de conseguir espaço na mídia.
- Agilidade em emergências. Na pandemia, a rede já existia e a marca era conhecida. Isso permitiu mobilizar empresas e pessoas em poucos dias.
O que a sua ONG pode aplicar
- Escolha como quer ser vista. Defina a forma de falar sobre o público que atende, com dignidade e sem reforçar estereótipos. Nosso guia de storytelling ético ajuda.
- Crie um evento-símbolo. Um torneio, um festival, uma feira anual. Veja como divulgar um evento beneficente.
- Produza um dado por ano. Uma pesquisa simples com o público atendido pode virar pauta na imprensa local. Veja como divulgar a ONG na imprensa.
- Prepare-se antes da emergência. Ter lista de contatos, canais ativos e uma página de doação pronta faz toda a diferença quando uma crise acontece.
Como a Ruptura ajuda
A Ruptura ajuda ONGs e coletivos a construir posicionamento, divulgar eventos e conquistar espaço na imprensa e nas redes. Conheça nosso serviço de assessoria de imprensa para ONGs e de site para eventos beneficentes, ou comece por um diagnóstico gratuito. Se preferir, fale direto com a gente no WhatsApp e conte o momento da sua organização.