Captação de Recursos

Orçamento de projeto social: rubricas, contrapartida, custos indiretos e cronograma

Ruptura · 8 min de leitura
Planilha e calculadora, representando a montagem do orçamento de um projeto social

Para montar o orçamento de um projeto social, parta das atividades, não do valor que você quer pedir. Liste cada atividade do projeto, descubra o que ela consome (pessoas, materiais, serviços, deslocamentos), dê preço a cada item com base em cotações reais, agrupe tudo nas rubricas que o financiador usa e distribua os gastos no tempo em um cronograma físico-financeiro. Depois some contrapartida e custos indiretos, se o edital permitir. Um orçamento bem feito é a tradução em números do que o projeto promete fazer, e avaliadores leem essa coerência com lupa.

Passo 1: comece pela lista de atividades

Pegue a metodologia do projeto e transforme em uma lista de atividades concretas: "oficinas semanais de reforço escolar para 60 crianças durante 10 meses", "formação de 12 educadores em 3 encontros", "evento de encerramento". Para cada atividade, pergunte:

  • Quem trabalha nela, quantas horas e com qual vínculo?
  • Que materiais são consumidos e em que quantidade?
  • Que serviços de terceiros são necessários (transporte, alimentação, aluguel de espaço, design, impressão)?
  • Há equipamentos que precisam ser comprados?

Essa etapa liga o orçamento à metodologia. Se um item do orçamento não aparece em nenhuma atividade, ele vai parecer sobra; se uma atividade não tem custo, vai parecer irreal. A estrutura completa de um projeto está em como escrever um projeto para edital.

Passo 2: organize em rubricas

Rubricas são as categorias de despesa. Cada edital tem as suas, e você deve usar exatamente as do financiador. As mais comuns:

RubricaExemplosAtenção
Recursos humanosCoordenação, educadores, técnicosInclua encargos trabalhistas e sociais, férias e 13º quando houver vínculo CLT
Serviços de terceirosPrestadores pessoa física ou jurídica, oficineiros, contador do projetoConsidere tributos retidos na fonte
Material de consumoMaterial pedagógico, alimentação, higieneQuantidades coerentes com o número de pessoas atendidas
Equipamentos e material permanenteComputadores, mobiliárioMuitos editais proíbem ou limitam
Deslocamentos e diáriasTransporte do público, viagens da equipeJustifique cada deslocamento
ComunicaçãoPeças gráficas, vídeo, divulgaçãoAlguns financiadores exigem aplicação de marca e reservam verba para isso
Custos indiretos ou administrativosParte do aluguel, energia, internet, contabilidade, gestãoVerifique se o edital aceita e qual o limite

Passo 3: preço de verdade

  • Faça cotações: pelo menos três para itens relevantes, guardadas com data. Muitos financiadores pedem as cotações na prestação de contas;
  • Use referências de mercado para salários, compatíveis com a região e com a função;
  • Considere reajustes se o projeto durar mais de um ano;
  • Detalhe a memória de cálculo: "2 educadores × 20 h/semana × 40 semanas × valor/hora" convence mais que um número solto.

Orçamento inflado reduz a nota de economicidade; orçamento subestimado leva a projeto que não termina ou a uma ONG que tira dinheiro de outro lugar para cobrir o buraco.

Passo 4: contrapartida

Contrapartida é a parte do projeto que a organização ou outros parceiros financiam. Pode ser financeira ou em bens e serviços economicamente mensuráveis, como espaço cedido, horas de voluntários, equipamentos já existentes e trabalho de equipe paga por outra fonte. Regras importantes:

  • Siga o que o edital pede: obrigatória, opcional ou pontuada;
  • Nas parcerias com o poder público regidas pelo MROSC, a Lei 13.019/2014 (artigo 35, § 1º) proíbe exigir contrapartida financeira como requisito para a parceria; pode ser exigida contrapartida em bens e serviços, com valor identificado no termo;
  • Toda contrapartida declarada precisa ser comprovada. Não prometa o que não consegue documentar.

Passo 5: custos indiretos sem medo

Projetos consomem estrutura: alguém faz a contabilidade, paga as contas, mantém a internet funcionando e coordena a equipe. Ignorar esses custos é uma das razões pelas quais ONGs ficam sem caixa mesmo com vários projetos aprovados. Nas parcerias regidas pelo MROSC, a Lei 13.019/2014 (artigo 46, III) permite pagar com recursos da parceria os custos indiretos necessários à execução do objeto, seja qual for a proporção em relação ao valor total, desde que aprovados no plano de trabalho. Em editais privados, as regras variam: alguns aceitam um percentual, outros proíbem. Quando aceitam, calcule com base em despesas reais e explique o critério de rateio.

Passo 6: o cronograma físico-financeiro

O cronograma físico-financeiro mostra, mês a mês (ou por etapa), quais atividades acontecem e quanto será gasto em cada período. Ele serve para o financiador definir as parcelas de desembolso e para a organização planejar o caixa. Dicas:

  • Monte uma planilha com atividades nas linhas, meses nas colunas e valores por rubrica;
  • Concentre compras de materiais e equipamentos no início, quando são necessários;
  • Preveja o descompasso entre gastos e repasses. Se a primeira parcela atrasar, a organização aguenta quantos meses?
  • Inclua as últimas despesas, como relatório final, evento de encerramento e encargos rescisórios, nas etapas certas.

Revise antes de enviar

Antes de fechar o orçamento, faça três conferências. Primeiro, a de coerência: cada linha da planilha corresponde a uma atividade do texto, e cada atividade tem custo. Segundo, a de regras: rubricas, tetos, itens proibidos e limites de custos indiretos estão de acordo com o edital. Terceiro, a de execução: peça para quem vai coordenar o projeto ler a planilha e dizer se consegue realizar tudo com aqueles valores. Essa última conversa costuma revelar esquecimentos, como transporte para atividades externas ou material de reposição.

Erros comuns em editais

  • Usar rubricas diferentes das do edital ou mudar a ordem;
  • Incluir itens proibidos, como reformas, bebidas ou equipamentos não permitidos;
  • Esquecer encargos trabalhistas, tributos e taxas bancárias;
  • Somas erradas e totais que não batem entre a planilha e o texto do projeto;
  • Valor total acima do teto do edital;
  • Contrapartida que não pode ser comprovada;
  • Um orçamento em que a coordenação consome a maior parte do recurso, sem justificativa.

Para encontrar editais adequados, veja editais e financiamento para ONGs. E, para o projeto ser executado sem sustos, ligue o orçamento ao seu plano de captação de recursos.

Como a Ruptura ajuda

A Ruptura elabora projetos completos para editais e leis de incentivo, com orçamento por atividade, memória de cálculo e cronograma físico-financeiro coerentes com o texto. Conheça a elaboração de projetos para editais e os projetos para leis de incentivo.

Perguntas frequentes

O que são rubricas em um orçamento de projeto?

São as categorias de despesa, como recursos humanos, serviços de terceiros, material de consumo e equipamentos. Use sempre as rubricas definidas no edital.

Posso incluir custos administrativos no projeto?

Depende do financiador. Nas parcerias com o poder público regidas pelo MROSC, custos indiretos necessários à execução podem ser pagos se aprovados no plano de trabalho. Em editais privados, leia as regras.

O que é contrapartida em projeto social?

É a parte do projeto financiada pela organização ou por outros parceiros, em dinheiro ou em bens e serviços mensuráveis. Toda contrapartida precisa ser comprovada.

O que é cronograma físico-financeiro?

É a tabela que mostra, por mês ou etapa, quais atividades acontecem e quanto será gasto em cada período, base para definir os repasses.

Precisa de um projeto com orçamento que convence?

A Ruptura elabora projetos para editais com orçamento, memória de cálculo e cronograma.

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